não é dia de negro

13 DE MAIO

texto original: vinícius martins  POR:  Giovanne ramos

Apesar do 13 de maio ser marcado pela assinatura da Lei n.º 3.353, conhecida como Lei Áurea, fato que coloca a Princesa Isabel como a pretensa salvadora dos negros escravizados, a data não é comemorada pelo movimento negro brasileiro.

“É importante destacar que mesmo com o 13 de maio de 1888, não houve políticas para que a população negra ocupasse os espaços institucionais, pelo contrário, se consolidou no Brasil um projeto de embranquecimento da nação, inclusive com a vinda de imigrantes europeus para trabalhar nas indústrias”

Najara Costa, socióloga e professora

Segundo a História, a abolição não foi uma ação benevolente da princesa e do Senado, derivada do modelo econômico baseado no trabalho escravo, que precisava ser substituído pelo trabalho livre.

imagem: Joaquim Insley PACHECO
IMAGEM: Johann Moritz Rugendas

O fim da escravidão no Brasil foi impulsionado por diversos fatores, entre eles, uma importante participação popular. Cada vez mais escravizados, negros livres e brancos se juntaram aos ideais abolicionistas, sobretudo, na década de 1880.

Pré e pós-abolição

As principais táticas que antecederam o 13 de maio eram reuniões em diferentes associações abolicionistas, bem como a realização de eventos artísticos para angariar apoio ao movimento negro. 

Segundo o doutor em história, Willian Lucindo, é necessário também destacar as rebeliões e fugas de pessoas escravizadas e a atuação dos abolicionistas negros para que o caminho até a data de abolição pudesse ser trilhado. As organizações quilombolas também foram marcos de suma importância para o decreto.

“Ainda, podemos olhar para a legislação abolicionista, mas não como meros marcos legais do processo. Lucimar Felisberto dos Santos apontou que, após a ‘Lei do Ventre Livre’, aumentou o número de mulheres escravizadas fugindo com suas crianças porque entendiam que podiam perdê-las quando completassem oito anos de idade”, pondera Lucindo.

Para Amailton Magno Azevedo, professor do Departamento de História da PUC-SP, o movimento negro não reconhece o 13 de maio por que elegeu outras datas que melhor expressam a luta contra o racismo e valorização da negritude.

Para além do 13 de maio

Conjuração Baiana (1798):
revolta negra e popular. Também conhecida como Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, o levante tomou ruas de Salvador (BA) e foi uma das maiores manifestações do tempo em que o país vivia uma monarquia.

Assim, outras datas históricas aparecem como, de fato, significativas. Alguns exemplos são:

Revolta dos Malês (1835):
levante contra a escravidão e pela liberdade religiosa, negros oriundos de vários países, mas em sua maioria muçulmanos, protagonizaram um importante levante pela liberdade. 

A revolta teve uma liderança feminina importante para o país: Luísa Mahin, que lutou pela liberdade de seu povo até ser presa. Seu filho, Luís Gama, seguiu os passos da mãe e é considerado um dos maiores abolicionistas do Brasil.

Revolta da Chibata (1910): período de pós-abolição. Liderada por João Cândido, também conhecido como “Almirante Negro”, o levante foi organizado por marujos negros contra os castigos físicos, baixos salários e as péssimas condições de trabalho da época. 

Najara Costa reforça que é imprescindível lembrar do 13 de maio como uma data de luta, voltada a pautar o Estado e a política. Ela pondera que observar a questão racial para analisar os espaços sociais é necessário, a fim de trazer políticas contra a desigualdade.

Como ressignificar o 13 de maio? 

“O 13 de maio serve como data para trazer à memória o que foi a violência da escravização, mas também essa violência moderna, que permite que as desigualdades ainda persistam”, explica.

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Camila Ribeiro
Vinícius de Araujo
Alma Preta Jornalismo/
Johann Mortiz Rugendas

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