e a resistência negra no teatro

Abdias Nascimento

texto original: vinícius martins  POR:  Giovanne ramos

Um dos maiores multiartistas negros brasileiros tem a sua contribuição na inserção da políticia retratada nos palcos retratada em uma exposição

IMAGEM:  Flecha do Guerreiro Ramos: Oxossi, 1971Abdias Nascimento

O Segundo Ato da exposição de Abdias Nascimento e do Museu de Arte Negra teve sua estreia em 28 de maio, em Inhotim, em Minas Gerais, e está localizada na ‘Galeria Mata’ do aparelho cultural.

fotografia:Fernanda Rosário / Alma Preta Jornalismo 

Intitulada “Dramas para negros e prólogo para brancos”, a mostra expõe o legado artístico e político contra o racismo encabeçado pelo intelectual brasileiro por meio da criação do Teatro Experimental do Negro (TEN) e da construção do MAN.

Teatro Experimental do Negro ensaiando Sortilégio, com Abdias do Nascimento e Léa Garcia, 1957

Resultado de uma curadoria conjunta entre o Inhotim e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), a exposição reúne diversos materiais, como pinturas, cartas, textos, fotografias e vídeos.

fotografia:Fernanda Rosário / Alma Preta Jornalismo 

Todo o acervo revela a trajetória multidisciplinar do poeta, escritor, dramaturgo, curador, artista plástico, professor universitário, pan-africanista e parlamentar, que trilhou um ativismo pela valorização da cultura negra e dos valores ancestrais africanos.

IMAGEM: OKÊ OXÓSSI, 1970 - ABDIAS NASCIMENTO

Para o Segundo Ato, o signo de Oxóssi, orixá das matas e do conhecimento, é destacado, marcando um período de sua carreira voltado ao teatro, linha cultural contribuinte na sua formação.

Lea Garcia e Fredman Ribeiro na peça "Onde está marcada a cruz" - TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO

Na exposição, um material informativo revela que o intelectual teve seu contato definitivo com o teatro durante as viagens que fez junto ao grupo de poetas da Santa Hermandad Orquídea, grupo fundado no Rio de Janeiro em 1939 formado por artistas argentinos.

fotografia:Reprodução / IPEAFRO

Em uma viagem realizada em 1941,  Abdias assistiu ao espetáculo “O Imperador Jones”, do dramaturgo Eugene O’Neill, no Peru. A peça tinha como ator principal um homem branco, que pintava o rosto de preto para interpretar, uma prática racista chamada de ‘blackface’.

fotografia: Reprodução / Pre-Code 

O fato marcou profundamente Abdias, que decidiu seguir para Buenos Aires e se aproximar do grupo argentino para estudar teatro como prática artística e ação política

Foto: Reprodução / Chester Higgins Jr.

Em regresso ao Brasil, o ativista decide criar um organismo teatral aberto ao protagonismo negro para conquistar espaço nas artes cênicas e ter a população negra como agente na produção e difusão de conhecimento.

Foto: Teatro Experimental do Negro -Arquivo Nacional

O TEN é, então, criado em 1944 no Rio de Janeiro por Nascimento. A iniciativa objetivava criar um espaço de formação artística e cidadã para a população negra trabalhadora, com um núcleo educativo e cultural que propunha alfabetização, realização de peças de teatro e apoio a outros projetos artísticos.

Imagem: Reprodução / Acervo Itaú Cultural

Em 8 de maio de 1945, a iniciativa teve sua estreia no Theatro Municipal do Rio Janeiro, não por acaso, com a peça "Imperador Jones”, de Eugene O'Neill. O protagonista foi o ativista e intelectual negro Aguinaldo de Oliveira Camargo.

Imagem: Reprodução / Arquivo Nacional 

Ao longo dos seus 24 anos de atuação, o TEN montou obras de autores brasileiros e estrangeiros com diferentes parcerias. Nessa época, além de ator e diretor, Abdias se consagra como dramaturgo, com as montagens de Rapsódia Negra (1952) e Sortilégio (1957).

Reprodução / Acervo Itaú Cultural (na foto ruth de souza)

Entre as contribuições para o movimento negro e o combate à discriminação racial,  o grupo ainda publicou também o jornal “Quilombo - Vida, problemas e aspirações do Negro”

Foto: Fernanda Rosário / Alma Preta Jornalismo 

Para saber mais sobre Abdias e a sua importância para a cultura brasileira, acesse a matéria sobre a exposição. O Segundo Ato, que está no Museu de Arte Negra, segue até outubro de 2022. 

Quilombismo (Exu e Ogum), 1980Abdias Nascimento

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IMAGENS

TEXTOS

Camila Ribeiro Victor Lacerda
Fernanda Rosário
Alma Preta Jornalismo/
IPEAFRO/
Arquivo Nacional/
Acervo Itaú Cultural/

 

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