Séculos de colonização e exploração são alguns dos fatores para o agravo das consequências das mudanças climáticas sobre a população africana.

 e a crise climática

África 

POR:   Fernanda Rosário

Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em toda a África. De acordo com o Índice de Vulnerabilidade à Mudança Climática de 2018, 67% das cidades africanas correm risco extremo com os impactos do aquecimento global. 

fotografia: PIXABAY

A cabo-verdiana e doutora em saúde pública Andrêa Ferreira destaca que as mudanças climáticas geram um impacto na saúde e na vida das pessoas que vivem em países do continente africano e que já sofrem com a falta de acesso a direitos.

imagem: PIXABAY

Essas mudanças têm gerado uma intensificação nos deslocamentos de grupos étnicos que são obrigados a se refugiarem em outros locais. Essas migrações podem aumentar o número de conflitos entre os grupos étnicos, com impactos, principalmente, sobre mulheres, crianças e idosos.

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Considerando as diferenças entre os países, esses efeitos também podem ser sentidos de forma mais intensa em determinadas regiões.

imagem: Photo by Jacques
Nel -Unsplash 

Em 2019, por exemplo, Moçambique foi atingido por dois ciclones consecutivos e os mais mortíferos registrados nas últimas décadas, acompanhado por inundações. O país já sofria as consequências da forte seca de 2015 e 2016.

imagem: Ciclone Idai em Beira, Moçambique – Cruz Vermelha

Em Angola, a falta de chuva entre novembro de 2020 a janeiro de 2021 resultou na pior seca dos últimos 40 anos, segundo o Programa Mundial de Alimentos. Para fugir da fome, gerada pelos impactos na agricultura, milhares de pessoas buscaram refúgio em países vizinhos.

imagem: Annie Spratt - unsplash

Em um cenário de moderadas a altas emissões globais de carbono, partes da costa africana serão inundadas até 2100. O assentamento suaíli mais preservado da África Oriental, na cidade velha de Lamu, no Quênia, é um dos locais ameaçados.

imagem: Reprodução - Womanifests

Segundo Andrêa Ferreira, quando se desenvolve estratégias para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas no continente africano, geralmente se pensa em condições atmosféricas e florestais, mas não na contribuição de melhoria da condição de vida das populações vulneráveis.

imagem: Jordan Rowland/ Unsplash

“Em diversos países, temos várias iniciativas acontecendo, porém grande parte delas ainda pensando em mudanças climáticas apenas do ponto de vista das florestas, e não pensando na dimensão da humanidade”

- Andrêa Ferreira, pesquisadora da IYALETA - Pesquisa, Ciência e Humanidades imagem: Annie Spratt - unsplash
imagem: C Tijerina Cameroon/ ACNUR

“Nós precisamos reduzir na verdade a vulnerabilidade nas quais nós estamos secularmente expostos, porque só assim conseguiremos prover essa dimensão da humanidade nas mudanças climáticas”

imagem: Seth Doyle/ Unsplash

Segundo Diosmar Filho, doutorando em Geografia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e também pesquisador da IYALETA, o caminho para isso está em cuidar das pessoas, fazer projetos que combatam as segregações e que dê qualidade de vida.

imagem: pixabay

“A mudança climática não é uma dimensão do clima, é uma dimensão humana. Se a gente debate ela como uma dimensão do clima, a gente vai colocar todo mundo em grau de igualdade para resolver o problema”, complementa o pesquisador"

- Diosmar Filho, doutorando em Geografia na Universidade Federal Fluminense (UFF)
imagem: pixabay

Diosmar destaca que o continente africano é o que menos contribui diretamente com a crise climática e o que mais sofre as consequências.

imagem: Valter Campanato
Agência Brasil

Entre os cinco países que mais emitiram gases de efeito estufa nos últimos 100 anos, de acordo com dados da Climate Watch, nenhum é africano.

imagem: 2Photo Pots/ Unsplash

“A lógica é pensar qual é a responsabilidade dessas potências para dar conta das mudanças climáticas. É preciso cobrar de quem realmente está contribuindo com essa aceleração das mudanças climáticas”

- Andrêa Ferreira

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