A sufragista negra que a história não conseguiu apagar

A LUTA DE ALMERINDA FARIAS

texto original: caroline nunes POR:  Giovanne ramos
cOLAGEM: I'SIS ALMEIDA/ALMA PRETA

A sindicalista e advogada Almerinda Farias nasceu em Maceió, em maio de 1899, e foi pioneira na atuação na política nacional, sendo parte importante do movimento sufragista brasileiro de 1932.

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Nascida em Alagoas, Almerinda se mudou para o estado do Pará na infância, após o falecimento do pai. Quem ficou responsável pela sua criação foi uma de suas tias.

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Um dos seus primeiros trabalhos, ainda bem jovem, foi como datilógrafa. A partir desse ofício, Almerinda passou a escrever crônicas para o jornal A Província.

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No início da década de 1920, a alagoana se casou e teve um filho. No entanto, a criança morreu ainda na infância e seu companheiro também faleceu, em 1926, vítima da tuberculose.

Sem família e trabalhando para sobreviver, Almerinda se indignou com as condições de trabalho sexistas em que estava inserida. Como datilógrafa, recebia 100 réis a menos do que um homem.

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Cansada da desigualdade, em 1929, Almerinda Farias mudou-se para o Rio de Janeiro buscando oportunidades de trabalhos que fossem mais igualitárias do que a sua antiga função.

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Sua primeira ação ao desembarcar no Rio de Janeiro foi se filiar à Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher (FBPM), presidido por Bertha Lutz, e iniciou sua luta pela emancipação da mulher.

- Almerinda Farias, em uma das reuniões da FBPM.

“Eu sempre, por instinto, me revoltei contra a desigualdade de direitos entre homem e mulher".

arquivo nacional

Idealizado por Bertha, criaram o Sindicato das Datilógrafas e Taquígrafas, reconhecido em 1933, e Almerinda foi nomeada a primeira presidenta da associação.

Em 1933, indicada pelo sindicato que presidia como delegada sindical, votou na escolha da bancada classista para a Assembleia Nacional Constituinte de 1934, sendo a única mulher e negra presente.

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Em 1934, a alagoana foi uma das feministas que enviou à Assembleia Nacional o pedido de voto para artigos da futura Constituição que contemplavam os direitos
da mulher.

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No mesmo ano, foi uma das fundadoras do Partido Socialista Proletário do Brasil. Se candidatou ao cargo de deputada federal nas eleições para a Câmara dos Deputados e para o Senado, mas não foi eleita.

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Nos anos posteriores, Almerinda Farias Gama se manteve afastada das disputas políticas e sindicais, ocupando-se do ofício de poetisa, atriz, professora e tradutora de francês, inglês e espanhol.

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Almerinda faleceu em 31 de março de 1999, em São Paulo. Hoje, a militante é vista como uma importante desbravadora do caminho da política para as mulheres brasileiras, em especial, as mulheres negras.

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Em 2016, a prefeitura de São Paulo instituiu o Prêmio Almerinda Farias Gama, voltado às iniciativas em comunicação social ligadas à defesa da população negra.

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