Netas negras destacam como suas avós foram importantes na sua construção de caráter e de saberes, mesmo em meio à escassez

Amor de vó

texto original: caroline nunes POR:  fernanda rosário

Dengo, conselhos, comida caseira e remédios naturais: todas essas coisas são lembranças valiosas de mulheres que foram criadas pelas avós. 

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Por diferentes motivos, como abandono parental, morte ou quando os pais precisam trabalhar, cerca de 100 mil brasileiros tiveram suas criações destinadas a suas avós, segundo o Instituto Kantar.

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Para mulheres negras que passaram por esse processo, a referência feminina e a potência de saberes adquiridos pela experiência de vida das avós é parte fundamental de suas construções como indivíduos.s senhores de escravos brasileiros.

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“Por minha avó ser muito guerreira, ela sempre mostrou o valor de uma mulher ser independente. Hoje eu sou mãe e passo o mesmo valor para meus filhos” - corretora de planos de saúde Sabrina Saturnino

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Neta de dona Nair Marques, a criação de Sabrina foi designada para sua avó paterna devido à morte de seu pai e por sua mãe não possuir condições financeiras e psicológicas para cuidar dos filhos.

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(Foto de Dona Nair). 

A líder de montagem  ngela Maria da Silva também foi criada pela avó paterna, Dona Francelina Alves, devido ao abandono parental. 

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“Lembro de cuidar dos cabelos e unhas de minha avó, a gente disputando a máquina de costura, ela me ensinando as tarefas domésticas e até as brigas por igualdade, pois minha avó era machista

-  ângela
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-  ângela

“À sua maneira, era carinhosa. Sem falar abertamente, através de exemplos, ela me ensinou a ser corajosa e ter empatia”

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Já Dona Lia da Silva é costureira e mora na periferia de Guarulhos. Aos 71 anos, ela cuida de 8 dos 12 netos, enquanto suas filhas tentam a vida como garçonetes e faxineiras em cruzeiros marítimos. 

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As filhas de Dona Lia fazem parte da estatística mostrada pela pesquisa do Instituto Kantar que mostra que 41% das crianças são criadas pela avó para que suas mães possam trabalhar.

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“Elas trabalham para dar uma condição melhor para os filhos. É duro o serviço delas, mas elas escolheram poder dar para eles o que eu não pude dar a elas”, completa.

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pondera Dona Lia.

“Eu sei que elas [as filhas] sofrem e sentem saudades porque são boas mães. A gente que é mulher, principalmente se for preta e de origem pobre, vive fazendo escolhas difíceis”

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(Foto de Dona Ivonne)

A auxiliar administrativa e professora Ana Paula também foi criada por sua avó. Quando ela tinha apenas 3 anos, sua mãe foi assassinada. Ana e seus dois irmãos então passaram a morar com dona Ivonne.

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“Lembro das vezes que a gente pegava um ônibus apenas para passear. Como não havia condições de ir para um shopping ou um parque, pegávamos um ônibus sem rumo”, compartilha Ana.

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Ana descreve dona Ivonne como seu espelho. Mesmo em meio à escassez financeira – pois sua avó era a única responsável pelo sustento dos netos – ela passou seus valores às crianças que educou.

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Na casa de Dona Lia, a crença em remédios utilizados pelos antigos – como administrar mel para criança com tosse – é uma marca e também fez parte da criação de  Ângela Maria.

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“Ela acreditava que qualquer tipo de doenças leves podiam ser resolvidas com ‘banha de galinha’ ou ‘mastruz com leite’. Neste momento, eu sentia seu carinho e cuidado por mim”, relembra  Ângela. 

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Ana Paula comenta que as ervas não podiam faltar para os xaropes e chás da avó. “Ela era rezadeira, mas independentemente de xaropes, chás e rezas, ela nos curava, pois tudo ainda tinha o toque de amor”. 

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