Como as barbearias têm ressignificado a estética das comunidades.

e a cultura
das favelas

Barbeiros

texto original: dindara paz   POR:  Giovanne ramos
colagem: i'sis almeida/alma preta

Do "bigodin finin" ao "cabelin na régua", os barbeiros oferecem variados estilos de cortes que fazem a cabeça dos jovens nas periferias, como o famoso “Loiro pivete” e o "Freestyle".

REPRODUÇÃO: MC CABELINHO
fOTO: @25BIRDMAN

A estética, criada nas comunidades, ainda hoje é marginalizada mas tem sido ressignificada por barbeiros que veem na profissão uma oportunidade de valorizar e expandir a cultura da favela.

FOTO: ANA LEE SALES

Considerada como uma das profissões mais antigas do mundo, ainda hoje os barbeiros são figuras de confiança e respeito.

FOTO/REPRODUÇÃO

A eles é dada a confiança de mexer na cabeça, o que para as religiões de matriz africana representa a segurança de manusear o ponto de maior ligação espiritual do corpo.

FOTO/REPRODUÇÃO


foto: Willyam Nascimento

Yudi Frttz, barbeiro do bairro de Pau da Lima, em Salvador, tinha apenas cinco anos quando teve contato com a barbearia. Através do pai, Dhotta, nutriu a paixão pela profissão.

- Yudi Frttz

"Compreendo a minha profissão como um trabalho de transformação e de afetividade", pontua o barbeiro, que enxerga nesse espaço uma forma de salvaguardar uma relação ancestral e cuidado entre pessoas negras".

foto: Willyam Nascimento

Para Yudi, apesar da importância histórica e visibilidade que os barbeiros das comunidades têm conquistado, ainda há uma apropriação da estética dos jovens das periferias por espaços elitizados.

foto/reprodução
- Yudi Frttz

"Tem um esvaziamento do significado e é bem triste porque eles fazem as coisas de uma maneira que transformam aquilo em lucro, em algo "bonito" para eles, enquanto quando a gente usa somos criminalizados, marginalizados".

foto: Willyam Nascimento

As barbearias, antes espaço liderado por homens mais velhos, têm atraído cada vez mais o público jovem que busca por autonomia financeira e uma alternativa ao mercado formal de trabalho.

foto/reprodução: freepik

É o caso de Alisson Jordan, morador do bairro de Paripe, região do subúrbio de Salvador. Em 2017, quando foi demitido, se encontrou sem caminhos e decidiu investir em um curso profissionalizante na área.

arquivo pessoal

Além da independência financeira, Jordan conta que o interesse do público mais jovem pela barbearia também se dá pela busca de um cuidado com a beleza e faz parte de uma cultura criada nas comunidades.

Reprodução: Barbearia
Jordan Corts
- alisson jorndan

"Foram as comunidades que trouxeram essa cultura de que você tem que estar 'alinhado'. Para onde você sai, você tem que estar 'alinhado', com o cabelo na 'régua’, isso faz com que os jovens se interessem pelo ramo."

Reprodução: Barbearia
Jordan Corts

Para o barbeiro Júnior Ferreira, também do subúrbio de Salvador, a profissão é uma aliada na transformação social da comunidade. No ramo há 8 anos, Júnior decidiu criar o Instituto Júnior Ferreira.

Instagram/@imperio.do.corte

O projeto social busca oferecer aulas gratuitas de barbearias para os jovens. Com um ano e meio, o projeto já formou 15 jovens barbeiros das comunidades de Salvador, com certificado válido para o Brasil todo.

instagram/Instituto Junior Ferreira

Além de incentivar uma maior autonomia nas quebradas, Júnior completa que o projeto "vai além de ensinar a cortar um cabelo, é uma ação de mudar vidas".

instagram/Instituto Junior Ferreira

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