Religiões de matriz africana conseguiram reconhecimento do regime militar, apesar de também terem sido alvo de perseguição.

Candomblé,
Umbanda e Ditadura

texto original: pedro borges POR:  fernanda rosário

“Brasil, ame-o ou deixe-o”. O lema da ditadura militar e o desejo de construir uma “identidade nacional” aproximaram militares da única religião que nasceu no Brasil: a Umbanda.

imagem: Adesivo antigo, popularizado no governo médici 

O Candomblé, religião com maior presença de negros, não sentiu essa aproximação e foi mais reprimida durante o regime, segundo os especialistas ouvidos pela Alma Preta.

fotografia: TIAGO CELESTINO

 - Alexandre Cumino, autor de “História da Umbanda no Brasil”.

“Qual é a cara do brasileiro para a ditadura?
A miscigenação.

A Umbanda era vista dessa forma e trabalhada como questão de identidade nacional”

Durante a ditadura, houve participação de militares na Umbanda, como o coronel Nelson Braga Moreira e o deputado e coronel da reserva da PM, Edson Ferrarini. 

fotografia: Manifestação estudantil contra a ditadura - wikimedia commons

Já no Candomblé, Rafael Pinto, um dos fundadores do MNU, não se recorda da presença de militares. Só havia diálogo de lideranças com representantes do regime por uma questão de sobrevivência.

fotografia: tiago celestino

“Onde houve uma relação mais explícita, que aí ela condecora ele como obá de xangô, no Gantois, é a Mãe Menininha com Antônio Carlos Magalhães (ACM). Isso é durante a ditadura”, conta.

fotografia: instituto acm

 - Alexandre. 

Outro fator para explicar a ausência de militares no Candomblé é a liderança feminina da religião.

“Os grandes candomblés baianos são terreiros dirigidos por mulheres e elas que mandavam” 

fotografia: tiago celestino/ unsplash

A partir de 1939, surge a 1° federação de Umbanda no Brasil e, em 1955, Jamil Rashid funda a 1° federação de religiosidades de matriz africana em SP. Então há um crescimento de terreiros, sobretudo de Umbanda. 

fotografia: tiago celestino/ unsplash

Durante o regime militar, isso ganha maior expressão. Entre 1974 e 1976, 357 candomblés foram registrados em SP, 2.844 centros de Umbanda e 69 centros espíritas (tese de doutorado de Lísias Nogueira Negrão).

fotografia: CLARA ANGELEAS/ MINC

Um bom termômetro para a popularidade das religiões eram as festas. A de Yemanjá, na Praia Grande-SP, chegou a reunir cerca de um milhão de pessoas. A de São Jorge, na capital, também reunia muitas pessoas.

fotografia: tiago celestino/ unsplash

O advogado e ogã Basílio Filho conta que durante a ditadura, apesar dos diálogos existentes com o regime, havia uma repressão por parte do Estado. Rituais eram interrompidos pela polícia, por exemplo.

fotografia: Wikimedia Commons

- Explica Alexandre Cumino. 

“Quando o negócio era mais negro e africano, era maior a repressão”

fotografia: TIAGO CELESTINO/ UNSPLASH 

Encontros religiosos ou organizados por ativistas do movimento negro com o tema da umbanda e o candomblé também foram monitorados pela ditadura militar, em especial pelo Serviço Nacional de Informações.

fotografia: Wikimedia Commons

Uma das maneiras de reprimir manifestações contrárias ao regime durante a ditadura foi a partir da censura de músicas e manifestações culturais, que passavam por aprovação. 

imagem:  Marcio Ramalho/  Wikimedia Commons 

A regularização dos terreiros dependia de uma autorização que impunha um valor a ser pago pelos religiosos. Nenhuma outra religião tinha essa obrigação e isso não significava o fim da repressão.

imagem: agência brasil

O fim do regime militar e a permissão legal para todos os cultos religiosos, inclusive Candomblé e Umbanda, não significaram o fim da repressão também, segundo Alexandre Cumino. 

imagem: José Eugênio Costa/ Pixabay

“Dependendo do lugar, os atabaques são controlados até hoje. Dependendo do terreiro no Rio de Janeiro, o tráfico proíbe macumba em alguns morros”, finaliza.

vídeo: alma preta jornalismo 

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