Apesar dos avanços sociais no decorrer da história a respeito da mudança no comportamento de aceitação, o cabelo crespo é alvo de críticas até hoje.

texto original: caroline nunes   POR: fernanda rosário

Crespo no Brasil

colagem: I'SIS ALMEIDA/ALMA PRETA C/
FOTO DE  EDUARDO GORGHET

Em uma cultura que valoriza traços e aspectos brancos e eurocêntricos, o preconceito contra quem não faz parte deste grupo ainda existe no Brasil, apesar de negros comporem a maior parte do país.

FOTO: Ball State English Department

Um estudo de 2021 da revista SPPS mostrou que candidatas negras - com penteados afro - a cargos de emprego no mundo são percebidas como menos profissionais do que negras com cabelos alisados.

 FOTO: Alieza Rizvie/Unsplash

A socióloga Anita Pequeno explica que, de modo geral, os primeiros esforços de transformação do corpo negro começam na infância, com o desejo de mudar o cabelo crespo por meio do alisamento capilar.

FOTO: Ben Masora/Unsplash
- Anita

“As mulheres negras conhecem a violência do racismo desde cedo, principalmente através da maneira como a sociedade taxa o crespo como ‘ruim’. Um dos discursos racistas mais abertamente postulados” .

FOTO: @childrennaturenetwork/
Nappy
FOTO: Beinecke LibrarY/Wikimedia Commons

Estudiosos das relações raciais mostram que a importância específica do cabelo para negros é irrefutável, devido ao legado histórico e político.

- anita

“No contexto das relações raciais, o cabelo pode significar relações com a África, construções da negritude, memória da escravidão, autoestima, rituais, estética, técnicas de cuidado apropriadas…”

FOTO: Bundesarchiv, Bild

Movimentos de exaltação à estética negra foram primordiais para escancarar o racismo por trás de comentários sobre esse traço tão evidente na população preta.

FOTOS: Good Faces/Unsplash

Nos anos 1960, debates sobre o que as práticas com o cabelo crespo representam entre mulheres negras surgiram na academia.

FOTO: Lia Castro/Pexels

Quando o Feminismo Negro chega a universidades, está associado à necessidade de autodeterminação das mulheres negras sobre a sua própria estética.

FOTO: Ehimetalor Akhere Unuabona/ Unsplash

O livro “400 years without a comb” (Willie Morrow) afirma que o pente garfo era muito valorizado na África e a escravidão forçou os escravizados a abandonarem essa tradição, sendo retomada mais tarde.

FOTO: Teddy tavan/Pexels


- trecho do livro 400 years without a comb

“Os homens negros, diante da nova realidade de negação da sua humanidade, muitas vezes cortavam os cabelos curtos – o que era muito perigoso devido à exposição ao sol no trabalho escravo”.

FOTO: IPEAFRO
- anita pequeno

“Com a imposição de um novo padrão estético, os pentes africanos, ideais para o crespo, foram substituídos por novos artefatos completamente inapropriados para o trato com aquele cabelo”.

Reprodução: Tô de Cacho

No Brasil pós-abolição, concursos de beleza foram promovidos a fim de, além de auxiliar na construção de um conceito de beleza negra, eliminar à imagem da “mulata promíscua” que surgiu na escravidão.

reprodução: Zine Cultural

Anita Pequeno explica que, a partir de 1931, a Frente Negra Brasileira e o Teatro Experimental do Negro seriam ferramentas importantes para a mudança do olhar sob a estética negra e suas características.

FOTO: IPEAFRO

Nos anos 1960 e 1970, com os movimentos “black is beautiful” e “black power”, o cabelo crespo passou a significar orgulho e poder.

FOTO: Ben Masora/Unsplash

A socióloga avalia que, embora associem muito fortemente o “black is beautiful” exclusivamente ao movimento norte-americano, as suas raízes, na verdade, remontam à luta antirracista na África do Sul.

Reprodução: Hypeness

Atualmente, Anita Pequeno afirma que está sendo escrito um novo capítulo na história da ressignificação da estética negra: a aceitação do cabelo crespo e o acolhimento à transição capilar.

Reprodução/ Alma Preta
- anita pequeno

“A transição acarreta o reconhecimento de uma identidade antes negligenciada. É um processo que implica a negociação de identidades complexas em um país que vive sob um racismo ambíguo”.

Reprodução: youtube Alma Preta

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