Conheça a cultura e a importância do espaço que acolhe a comunidade LGBTQIA+

A cultura ballroom

TEXTO ORIGINAL: DINDARA PAZ POR:  GIOVANNE RAMOS
FOTO: POSE/HBO

A cena ‘ballroom’, surgiu em meados dos anos 70, nos Estados Unidos. Especula-se que o primeiro baile realizado foi o ‘Crystal & Lottie Labeija presents the first annual House of Labeija Ball’, no Harlem.

 FOTO: Chantal Regnaul

Esses ambientes eram voltados para a população LGBTQIA+, negra e latina que se expressavam através de performances, intervenções artísticas, desfiles e danças.

FOTO/REPRODUÇÃO

Um dos estopins para a criação do baile anual da House of Labeija, a primeira feita por uma house, era o silenciamento dos corpos negros e o sistema racista em ambientes LGBTQIA+ embranquecidos.

FOTO: Janus Films

As houses surgiram como coletivos, semelhantes a uma família, onde os seus líderes, chamados por ‘mãe’ ou ‘pai’, acolhiam pessoas da comunidade que precisavam
de abrigo.

FOTO: Timothy Greenfield-Sanders

Esses espaços eram refúgio para pessoas que sofriam violências sociais, eram expulsas de casa por ser LGBTQIA+ e também um espaço de pertencimento para a população afetada pelo surto de HIV/Aids.

FOTO/REPRODUÇÃO

Ao longo do tempo, as houses passaram a ganhar novas configurações, sem necessariamente se estabelecer como um espaço físico. A união entre os membros se baseia pela vida, interesses, afetos e outras necessidades.

FOTO/REPRODUÇÃO

Percussora do movimento, a drag queen e travesti negra, Crystal Labeija, passou a fazer protestos nos ballrooms contra os padrões racistas e transfóbicos dos concursos de beleza.

FOTO/REPRODUÇÃO

Além de desfiles e performances, a dança é um dos principais elementos da cultura ballroom. Dentro uma variedade de estilos, um dos movimentos mais populares é o ‘Vogue’.

Reprodução/Youtube Pose (FX)

O Vogue é uma dança que surgiu baseada nas capas de revista da marca estadunidense e teve como um dos pioneiros o performer e dançarino Willi Ninja.

FOTO: Chantal Regnault

Em Salvador, o movimento ballroom passou a ganhar força em 2019, quando coletivos se reuniram em busca de difundir e resgatar a cultura que faz parte da luta política da comunidade LGBTQIA+.

FOTO: Reprodução Tv Globo

A performer e dançarina Pietra Fellipa foi uma das primeiras a formar um coletivo em Salvador, a 'House of Padam', atual 'House of Astra'.

Pietra Fellipa/Arquivo Pessoal

O coletivo, que originalmente surgiu em Brasília, hoje conta com 18 membros também organizados em unidades em Manaus e Rio de Janeiro.

Reprodução Instagram
House of AstraC

Mesmo com a contribuição mundial da cultura ballroom para o cenário musical e comportamental, integrantes ainda apontam uma desigualdade no reconhecimento e investimento nas produções feitas pela comunidade LGBTQIA+.

FOTO: José Bittencourt
- Lip Moreira, dançarino e um dos fundadores da ‘House of Tremme’

"Todo mundo quer o 'voguing', todo mundo quer grandes modelos que tenham estéticas diferentes, todo mundo quer os nossos corpos, mas a gente nunca tem esse valor de mercadO".

Reprodução Madonna Youtube

A insegurança, a falta de políticas de proteção e de investimento na potência cultural LGBTQIA+ também são apontadas como umas das principais barreiras para os coletivos em Salvador.

REPRODUÇÃO

Segundo último relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), Salvador é a capital mais perigosa para a população LGBTQIA+, sendo a Bahia o segundo estado com maior número de assassinatos da comunidade.

FOTO: AGÊNCIA BRASIL
- Pietra Fellipa, performer e criadora do coletivo 'House of Astra'.

"Ainda existe um estereótipo em relação a gente, principalmente por ser a maioria pessoas trans, travestis, pessoas pretas e estamos sempre nesse lugar, de corpos dissidentes.”

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I'sis Almeida Chantal Regnault
 Janus Films
Timothy Greenfield-Sanders
Pose (FX)
Tv Globo
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