Adeptas das laces contam como o uso do acessório as ajudam a ter maior versatilidade estética 

e mulheres negras

Laces

texto original: dindara ribeiro POR:  victor lacerda

A multiplicidade das laces é vasta e não existem estimativas suficientes sobre o faturamento desse mercado no Brasil. O fato é que o acessório tem se popularizado no país e pode ser encontrado em diversos modelos, tamanhos e formatos em lojas físicas e virtuais.

Afinal,
o que é lace?

Apesar de ter uma estética quase parecida com a peruca, as laces se diferem por terem uma tela transparente que se assemelha ao couro cabeludo e permite repartições no cabelo, dando um maior realismo aos fios.

vídeo: trecho do canal wappamoda de bárbara gisele

Front lace, full lace, entrelace... seja lá qual for a nomenclatura, as laces têm feito a cabeça das pessoas que buscam maior versatilidade e praticidade na hora de escolher um cabelo.

vídeo: trecho do clipe formation da BEYONCÉ 

Se tratando das mulheres negras, para além da escolha de um cabelo, as laces têm sido uma aliada no resgate da autoestima, já que permite uma multiplicidade de texturas, tamanhos e cores, que muitas vezes são tidas como inadequadas para o tom de pele das pessoas negras.

imagem: revista elle

Historicamente excluídas do mercado estético, as mulheres negras têm apostado nas laces como uma nova possibilidade de mudar o visual sem agredir os cabelos naturais, o que também auxilia na transição capilar e até no processo para o tratamento de doenças que atingem o couro cabeludo.

Como é o caso da dançarina e influenciadora Gisele Soares que, desde fevereiro, tem enfrentado problemas emocionais após sofrer violência psicológica durante uma abordagem racista de um guarda municipal.

imagem: arquivo pessoal de gisele soares

Diante de uma depressão, a artista passou a sentir fortes dores de cabeça e, após diagnóstico, descobriu que estava com três coágulos bacterianos na cabeça devido ao estresse e os atritos causados pelas colocações de fibras.

Foi nas laces que ela encontrou uma alternativa para passar pelo tratamento sem deixar de cuidar dos fios naturais. Apesar da escolha, ela ressalta que não foi um processo de fácil adaptação. 

vídeo: arquivo pessoal de gisele soares

"Justamente por sabermos que tudo em nossos corpos pretos tomam uma conotação diferente, um peso de negatividade e julgamentos”

imagem: arquivo pessoal de gisele soares

No Brasil, artistas negras como Ludmilla, Brunna Gonçalves e Camilla De Lucas são alvos constantes de críticas pelo uso das laces. Em junho do ano passado, Camilla fez um desabafo nas redes sociais após receber comentários ofensivos e racistas sobre o seu cabelo natural.

vídeo: trecho do canal de camilla de lucas   

Gisele acredita que esses questionamentos fazem parte de uma construção estética onde as mulheres negras são colocadas em um lugar que vai contra o padrão estabelecido na sociedade.

- completa a influenciadora.

"Eu amo meu cabelo natural, sim, mas também amo e posso ser lisa, cacheada, ondulada, crespa, loira, careca e isso não vai mudar minha racionalidade. Afinal, a estética é política e o empoderamento para ser consistente tem que nascer de dentro para fora”

Para Elaine Cristina, trancista há 15 anos e empreendedora do studio Afro Ori Candaces, onde confecciona laces e wigs, em Salvador, usar laces e cuidar da estética afro, entre as mulheres, faz parte de um resgate ancestral.

imagem: arquivo pessoal de elaine cristina

CONHEÇA MAIS
HISTÓRIAS PRETAS

BLACKSTORIES

DESIGN

IMAGENS

TEXTOS

Vinícius de Araujo Alma Preta Jornalismo/
Canal WappaModa/
Revista Elle/
Arquivos pessoais de Gisele Soares e Elaine Cristina/
Canal Camilla de Lucas

Victor Lacerda
Dindara Ribeiro