Intelectual, revolucionária e provocativa. Lélia Gonzalez foi umas das pioneiras a propor uma visão afro-latino-americana do feminismo.

e a revolução da mulher negra

lélia

colagem: I'sis almeida/alma preta texto original: victor lacerda por: dindara paz

Nascida na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Lélia d'Almeida Gonzalez foi uma intelectual, autora, professora e antropóloga brasileira considerada um dos ícones nos estudos sobre raça e gênero no Brasil.

foto: Januário Garcia Filho

Filha de um operário e de uma empregada doméstica, a sua trajetória política começa ainda criança, quando, após a morte do pai, se muda com a família para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades.

Acervo Lélia Gonzalez/Projeto Mémoria

No Rio, trabalhou como babá e empregada doméstica. Em 1964, se casou com o espanhol Luiz Carlos Gonzalez, que se suicidou após a família rejeitar o relacionamento inter-racial.

Acervo Lélia Gonzalez/Projeto Mémoria

A morte do marido foi um dos pontos de partida para que Lélia passasse a olhar para dentro de si e questionar as posições das mulheres negras na sociedade a partir do ponto de vista de gênero, raça e classe.

Acervo Lélia Gonzalez

Foi por meio dos estudos que ela pôde compreender as suas dores e torná-las um campo de luta. Estudou Antropologia, Sociologia, Psicanálise e era formada em História, Geografia e Filosofia, além de mestre em Comunicação e doutora em Antropologia Política.

Acervo Lélia Gonzalez

Lélia atuou como professora em escolas públicas e universidades e integrou o primeiro curso de Cultura Negra da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde propôs uma análise da contribuição africana na formação histórica e cultural brasileira.

Acervo pessoal
- lélia gonzalez

“Estamos cansados de saber que nem nos livros onde mandam a gente estudar se fala da efetiva contribuição das classes populares, da mulher, do negro e do índio na nossa formação histórica e cultural. Na verdade, o que se faz é folclorizar todos eles".

foto: januário gárcia

Em 1982, filiou-se ao PT, onde concorreu como deputada federal. Lélia não se elegeu, mas ficou como primeira suplente. Quatro anos depois, concorreu como deputada estadual pelo PDT, também conquistando a suplência.

foto: januário gárcia

A intelectual também foi uma das primeiras ativistas negras a questionar o que hoje chamamos de "interseccionalidade" nos debates sociais e feministas, que não levavam em consideração as pautas específicas das mulheres negras e indígenas.

acervo cultne
- lélia gonzalez

"Para a mulher negra, o lugar que lhe é reservado é sempre o lugar menor, é o lugar da marginalização, do menor salário, do desrespeito com relação à sua capacidade profissional".

acervo cultne

À Lélia é atribuído a "Amefricanidade", categoria político-cultura que aborda a dinâmica dos povos negros e indígenas nas Américas em contraposição à dominação colonial.

Acervo pessoal

Lélia Gonzalez faleceu aos 59 anos, no Rio de Janeiro, em 10 de Julho de 1994, vítima de problemas cardiorrespiratórios.

Acervo Lélia Gonzalez
- LÉLIA GONZALEZ

“A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora”.

Acervo pessoal

DESIGN

IMAGENS

TEXTOS

I'sis Almeida Alma Preta
Acervo Lélia Gonzalez
Acervo Lélia Gonzalez/Projeto Memória
Janúario Gárcia
Dindara Paz
Victor Lacerda

CONHEÇA MAIS
HISTÓRIAS PRETAS

BLACKSTORIES