Onde estavam os negros na Semana de Arte Moderna em 1922?

na arte moderna

O lugar do negro

POR: Caroline Nunes

Em 2022, comemora-se o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, que representa o marco zero do modernismo no Brasil. A data abre uma reflexão: a exclusão de artistas de minorias étnicas.

imagem: Cartaz criado por Emiliano Di Cavalcanti para simbolizar a Semana de Arte Moderna de 1922

O ano de 1922 foi bastante simbólico, pois era o primeiro centenário da independência do Brasil, e o país passava por uma série de mudanças sociais, políticas e econômicas.

imagem: Centenário da Independência do Brasil - selo comemorativo  - Wikipedia

Após 34 anos da abolição da escravatura, o evento de arte moderna era protagonizado pela elite branca – principalmente os filhos de ex-senhores de engenho ou de cafeicultores.

imagem: Foto oficial do grupo da Semana de Arte Moderna -CASA MÁRIO DE ANDRADE

Os trabalhos expostos, que mostravam temas brasileiros baseados no folclore “nativo” e nas “lendas rurais”, seriam hoje, facilmente interpretados como apropriação cultural e apagamento negro.

imagem: O Artesão - Vicente do Rego Monteiro

No espaço, as minorias eram somente vistas nas pinturas, onde eram retratadas. Mas ao notar o seleto grupo que compôs a Semana, notava-se a exclusão de artistas negros e indígenas.

imagem: Operários Tarsila Amaral

“O problema é que apesar dessa vontade de romper paradigmas – e, de fato, rompeu com alguns e trouxe frescor –, o modernismo não deu conta de olhar pra fora de si e, nesse sentido, comeu a si mesmo.” 

- Chris Tigra, artista plástica imagem: Yannick Falisse
imagem:Fotografia realizada no contexto da Exposição de Tarsila do Amaral no Rio de Janeiro, em 1929. 

O objetivo da Semana de Arte Moderna, era repensar de maneira crítica o tradicionalismo cultural daquele tempo, muito associado a correntes literárias e artísticas européias, mas houve incoerências.

imagem: Foto tirada em 1922, no Theatro Municipal de São Paulo – Biblioteca Mário de Andrade/Prefeitura de SP

Participaram nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos e Di Cavalcanti. Mas onde estavam Lima Barreto, Pixinguinha e Lino Guedes?

imagem: João Timótheo da Costa - museu afrobrasil

A diretora geral do Theatro Municipal de São Paulo, Andrea Caruso Saturnino, avalia que, àquela altura, artistas e intelectuais negros já gozavam de relativo conhecimento, como os irmãos Timótheo.

imagem: estadão

“Os primeiros anos da República foram marcados por uma intensificação da desigualdade racial que marca o Brasil até hoje, e que parte dos intelectuais e artistas de 1922 eram integrantes”.

- Andrea Caruso Saturnino - diretora do threatro municipal de são paulo
imagem: reprodução

Para o conhecimento, Lima Barreto foi um dos maiores escritores brasileiros da época e acabou ficando de fora do evento por criticar o modernismo e a ligação de artistas com militantes do fascismo.

imagem: Reprodução/UFMG

O primeiro poeta negro a se aceitar negro, Lino Guedes foi rejeitado pela cúpula da Semana de Arte Moderna.  A escrita inspirada na oralidade do poeta negro, era considerado moldes do século XIX.

imagem: Arthur Timotheo - Biblioteca Nacional

No caso dos irmãos Timótheo, Arthur morreu precocemente no ano da Semana de Arte Moderna, o que justificaria sua ausência. Mas a de seu irmão João nunca foi explicada.

imagem: The businessmen - Jacob Lawrence

Apesar das intenções inovadoras da Semana de Arte Moderna em 1922, é preciso se questionar, mesmo cem anos depois, qual é o lugar de artistas negros nos espaços de prestígio?

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Camila Ribeiro Wikipédia/
Casa Mário de Andrade/
Biblioteca Mário de Andrade/
Museu Afrobrasil/
UFMG/
Biblioteca Nacional
Caroline Nunes

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