A criação do Ilê Ayiê, primeiro bloco afro do Brasil, se firma como um marco na luta contra o racismo e na construção da autoafirmação, potência e beleza do povo negro.

'que bloco é
esse?'

POR:  dindara paz
foto/reprodução: Acervo Ilê Aiyê

Criado em um período marcado pela Ditadura Militar, o Ilê causou revolução ao sair pelas ruas de Salvador com um bloco formado exclusivamente por pessoas negras, que esbanjavam sua estética afro.

foto/reprodução: Acervo Ilê Aiyê

Foi dentro do terreiro Ilê Axé Jitolu, comandado pela ialorixá Mãe Hilda, que o bloco deu início à articulação para a emancipação afro-brasileira, especialmente dos povos de santo, com atividades voltadas para o combate à desigualdade racial e a violência contra a população negra.

foto/reprodução: mario cravo

O Ilê Aiyê surge impulsionado pelas lutas contra o colonialismo na África e nos movimentos negros americanos. À frente da criação do bloco estão a matriarca Mãe Hilda, o filho, Antônio Carlos dos Santos, mais conhecido com.o Vovô do Ilê, Apolônio de Jesus e moradores do Curuzu.

foto/reprodução: mario cravo
reprodução: youtube

Desfile do Ilê Aiyê, em 1987.

A representação da luta política da população negra também está estampada nas cores do bloco Ilê Aiyê. O branco representa a paz, o preto, a cor da pele; o amarelo simboliza a riqueza cultural e o vermelho representa o sangue derramado na luta pela libertação.

foto/reprodução: Richner Allan

Com sua origem nos terreiros, a musicalidade do bloco é marcada pelo ijexá, ritmo das religiões de matriz africana, e as canções do Ilê trazem em suas composições um discurso de autoafirmação, denúncia, amor e celebração às tradições dos povos africanos.

foto/reprodução: André Seiti

Para além de um bloco de Carnaval, o Ilê também atua no campo social e educacional como forma de capacitar, sobretudo, a juventude negra. Um dos exemplos é a Escola Mãe Hilda, instituto educacional pioneiro no ensino da cultura afrodescendente.

foto/reprodução: Acervo Ilê Aiyê

O Ilê também atua em diversos projetos socioeducacionais, como o Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê, a Escola de Percussão, Canto e Dança Band’erê, a Escola Profissionalizante do Ilê Aiyê e o projeto Dandarerê, voltado para o público da terceira idade.

foto/reprodução: André Seiti

A exaltação das mulheres negras também é parte essencial do Ilê Aiyê. Desde 1975, o bloco realiza o concurso da Deusa do Ébano, evento que enaltece a beleza da mulher negra e desconstrói a hegemonia dos concursos de beleza que excluem esse grupo.

foto/reprodução: facebook Ilê Aiyê
reprodução: youtube

Banda Ilê Aiyê "Bonito de se ver" - 40 anos Ao Vivo

A maioria das atividades acontecem na Senzala do Barro Preto, localizado no bairro do Curuzu, sede do Ilê Aiyê desde 2003. O espaço é considerado um reduto sociocultural e religioso do bloco afro.

foto/reprodução: Acervo Ilê Aiyê

Múltiplo e revolucionário, há mais de 40 anos o Ilê Aiyê rompe com as estruturas que oprimem a população negra e amplia a luta política como símbolo da cultura, beleza e existência negra.

foto/reprodução: André Seiti
reprodução: youtube

Banda Ilê Aiyê "Bonito de se ver" - 40 anos Ao Vivo

DESIGN

IMAGENS

TEXTO

I'sis Almeida Acervo Ilê Aiyê
Mario Cravo
Richner Allan
André Seiti
Dindara Paz

CONHEÇA MAIS
HISTÓRIAS PRETAS

BLACKSTORIES